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sábado, 15 de julho de 2017

O marxismo na crítica ao fragmentário pós-moderno

Por Cezar Xavier

A educadora Madalena Guasco Peixoto debateu a atualidade da teoria marxista, frente à avalanche de ideias pós-modernas, que invade todos os âmbitos do conhecimento, inclusive em sua tentativa de alcançar força material tornando-se referência nos movimentos sociais. Sua conferência ocorreu durante o Ciclo de Debates pelos 100 anos da Revolução Russa realizado na última segunda-feira (10), na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Promovido pela Fundação Maurício Grabois, pelo Centro Brasileiro de Luta pela Paz (Cebrapaz) e pelo Partido Comunista do Brasil no Rio de Janeiro (PCdoB-RJ), o tema foi “pós-modernismo e a atualidade da teoria marxista”.


A mesa de palestrantes contou com a presença da Diretora da Faculdade de Educação da PUC-SP e integrante da Escola Nacional de Formação do PCdoB, Madalena Guasco Peixoto, do Coordenador do Laboratório de Estudos sobre Hegemonia e Contra-Hegemonia da UFRJ (LEHC/UFRJ), Carlos Eduardo Martins, e da Coordenadora Geral do DCE da UERJ, Natália Trindade. A mediação foi feita por Luana Bonone, presidenta da Fundação Maurício Grabois do Rio de Janeiro.
Madalena mostrou que o marxismo sempre teve como princípio inerente a atualização pelas crises e transformações do capitalismo. Portanto, falar em crise do marxismo sempre foi um jogo retórico perene das classes dominantes para tentar tirar a teoria revolucionária da disputa de ideias.
A disputa das ideias por uma força material
Segundo ela, discutir a atualidade do marxismo é importante para mostrar que não se trata de dogmas, mas de um pensamento que se atualiza diante dos desafios à teoria revolucionária. Mostra que é uma teoria viva, e como tal, só consegue se desenvolver se consegue conhecer e interpretar os novos fenômenos da atualidade. “No grande debate de ideias da atualidade, o marxismo não está imune de questionamentos”.
É procedente discutir o marxismo nesse cruzamento com o pós-modernismo, pois parte dessa corrente afirma que o marxismo perdeu sua atualidade, como todas as teorias que se caracterizam como “metanarrativas totalizantes”. “Como se alguma teoria não fosse totalizante”, ironiza ela.
A pós-modernidade se propõe ser a expressão de uma crise de grande amplitude da modernidade, e de tudo que foi produzido nesse período, como o marxismo. O próprio marxismo passou por uma revisão crítica, como faz Eric Hobsbawn em “Marxismo hoje um balanço aberto”. Ele detecta três momentos de crise do marxismo: como na década de 1950, quando se inicia o Estado de Bem-Estar Social. “Não se trata de uma crise do socialismo ou da falência das teorias socialistas, pois o socialismo saiu vitorioso da guerra. O caráter da crise é a emergência do estado de bem-estar social, que se impõem devido à vitória do socialismo no pós guerra”, salienta.