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sexta-feira, 23 de junho de 2017

UNE: ocupar as ruas em defesa da democracia e do Brasil



A União Nacional dos Estudantes (UNE), que este ano comemora 80 anos de existência, encerrou no domingo (18), em Belo Horizonte, seu 55º Congresso, que foi o maior de sua história e envolveu números grandiosos. Lá estavam 15 mil estudantes – dos quais 4.940 eram delegados (com direito a voz e voto), eleitos pelos estudantes de 2.553 universidades.

O processo do congresso, iniciado com a convocação, em 20 de março, envolveu cerca de 3,5 milhões de estudantes em 90% das instituições de ensino superior em todo o país.

O congresso expôs, mais uma vez, o DNA democrático da UNE, retratado no gigantismo desses números. E na enorme inquietação política e social que existe em seu interior.

Lá estavam organizações de estudantes ligadas aos vários partidos do cenário político brasileiro. Da esquerda à direita, passando pelo centro, um amplo espectro político que reflete a pluralidade existente entre os universitários brasileiros e reforça a representatividade da UNE. Com grande expressão, estava presente a União da Juventude Socialista (UJS) que liderou o movimento Vem Quem Tem Coragem, integrado por diversas correntes de opinião e que elegeu a nova presidenta Marianna Dias, com 79% dos votos.

A amplitude de representação retrata também, de maneira veemente, o espírito democrático dos estudantes universitários e de sua entidade maior, a UNE – que, não por acaso, é celeiro e escola de tantas lideranças políticas. Leque que inclui desde o tucano José Serra, que foi presidente da UNE em 1963, a Aldo Arantes (presidente em 1961) e Aldo Rebelo (1980), e continua gerando novos líderes, como sua última presidenta, Carina Vitral.

E a grande bandeira, que Marianna Dias mantém no topo, é a luta pela unidade contra o golpe e pela volta da democracia. Esta é a “bandeira da esperança”, disse.

“Só será possível transformar o Brasil que a gente vive se tivermos muita unidade. Eu tenho a convicção que com a força de sete milhões de universitários desse Brasil nós seremos vitoriosos.”

Há três desafios a serem enfrentados, diz ela. O primeiro é renovar a crença na política; outro, ocupar as ruas para “barrar os retrocessos, o avanço desse projeto golpista que não foi aprovado pelas urnas”; finalmente, é preciso reconquistar a democracia no Brasil através do voto.

São grandes tarefas, perante as quais a UNE nunca recuou.

“A juventude que constrói a UNE e suas lutas é movida pelos sonhos e pela ligação com as causas defendidas pela organização. Não possui interesses menores que esses”, diz Vic Barros, ex-presidenta da UNE. 

Ela tem razão. É o sonho democrático, de justiça social e igualdade do qual os brasileiros não abrem mão e os estudantes são seus porta-bandeiras e sua voz.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Ergon Cugler: 55º Conune - Fortalecer a UNE para fortalecer o Brasil

une


A luta histórica dos estudantes e sua contribuição para a construção da nação fronte os desafios do próximo período – democracia, soberania e muita resistência!

Por Ergon Cugler (*)
Vivemos hoje o que parece uma novela, com capítulos longos e repletos de reviravoltas, aliás o povo brasileiro gruda nas telas a cada plim plim que anuncia mais um escândalo de corrupção. Por outro lado ocorre a flexibilização das leis trabalhistas, o desmonte da previdência e a venda do Brasil a preço de banana ao capital estrangeiro. O entreguismo corre cada vez mais ao lado da corrupção e do desmonte do Estado, escancarando o tal projeto “ponte para o futuro” e seus anseios friamente neoliberais para o país.
Ao mesmo tempo, tal setor que tanto investiu neste desmonte do Estado, hoje investe na caça aos movimentos sociais que demonstram resistência aos retrocessos. Mas para compreender o presente, é necessário se debruçar perante a história, não só do Brasil, mas de uma das mais importantes – senão a mais – entidade que se moldou no cerne dos movimentos sociais do país, a União Nacional dos Estudantes (UNE).
HÁ 80 ANOS: A UNE SOMOS NÓS!
O momento em que a UNE nasce (1937) já demonstrava tímidas movimentações de grupos nazistas e integralistas no Brasil, até mesmo por parte da Juventude Integralista, que buscou apoio de Getúlio Vargas para se estruturar. Vargas, então, cria a “Juventude Brasileira”, com viés integralista, como contraponto à UNE que realizava passeatas a favor da participação do Brasil no bloco dos aliados (EUA / URSS) para então combater o nazismo.
Passado tempos de guerra, a União Nacional dos Estudantes encampou uma de suas lutas mais bem sucedidas: “O Petróleo é Nosso!”, o qual resultou na criação de uma das maiores estatais do mundo, gerando contraponto ao setor norte-americano que buscava ampliar seus pólos de exploração ao redor do mundo. Para a UNE em 1953, a Petrobrás não era apenas a Petrobrás, mas a forma lógica de fazer o Brasil avançar fronte a soberania de suas riquezas, com pesquisas e tecnologias, garantindo o fortalecimento da Indústria Nacional, geração de emprego e educação superior demandada de todo processo de avanço.
No entanto, nos é fundamental compreender o momento histórico da década de 60, quando a UNE havia ganho espaço no cenário estudantil e se organizava cada vez mais em regiões do Brasil através do projeto “Volante”. Mas também foi na década de 60 que a UNE viveu seu momento mais obscuro, marcado por perseguições, torturas e mortes de seus dirigentes, os quais se opunham diariamente à então instaurada Ditadura Militar.
A UNE resistiu à Ditadura Militar, não apenas num recuo tático, mas no combate diário. Combate que deu mais força aos estudantes e abriu espaço para sua reconstrução de forma efetiva. Para os estudantes, o processo de redemocratização do Brasil deu gás para uma demanda praticamente consequente da então recém-conquistada democracia: as “Diretas Já”. A UNE liderou os estudantes às ruas pelo direito de votar e, mais uma vez, esteve na narrativa da história do Brasil ao lado dos interesses do povo brasileiro. A última década, para a UNE e para os estudantes, não representou o projeto ideal em si para o movimento estudantil, mas revelou ser o mais próximo de um projeto bem-sucedido de avanços, pois garantiu a expansão das universidades públicas e a entrada de todos os setores da juventude no ensino superior dos quatro cantos do Brasil.
Foram programas como o PROUNI, FIES, REUNI e muitos outros, criados em fóruns da União Nacional dos Estudantes e hoje atingindo milhares de estudantes ao redor do Brasil. Foi o Estatuto da Juventude, como também os Royalties do Petróleo para a educação e os 10% do PIB para investimento em ensino, pesquisa e extensão, que hoje fundamentam a educação. Recentemente, após o processo de impeachment de Dilma Rousseff montado pelo setor da grande mídia e mega-empresarial estrangeiro, percebemos mais um adversário à frente da soberania: Temer. No entanto, mudam as faces, mas não muda o desafio da UNE de combater personagens marcados pelo conservadorismo e pela retiradas de direitos básicos dos estudantes e dos trabalhadores e trabalhadoras.
CARAS PINTADAS | 1992 – 2017
Como foi ao longo dos 80 anos de histórico de lutas da União Nacional dos Estudantes, hoje a UNE enfrenta grave repressão e perseguição ao lado de movimentos sociais que são diariamente criminalizados banalmente, pois Temer sabe que são estes os movimentos que podem derrubá-lo e, portanto, não se isenta de buscar meios de isolá-los, mesmo que para isto seja necessária força bruta sobre os estudantes. A UNE tem peso, história e, acima de tudo, tornou-se porta-voz – junto à Frente Brasil Popular e a Frente Povo sem Medo – das grandes mobilizações realizadas nos últimos tempos contra as retiradas de direitos e retrocessos do Governo Temer. Aliás, é a União Nacional dos Estudantes que reúne todos os setores populares e de juventude do Brasil, com unidade e democracia para avançar nas pautas dos estudantes.
Precisamos valorizar o movimento estudantil e o peso que ele tem representado fronte ao momento político que vivemos. Tornou-se porta voz da insatisfação e da indignação com a corrupção que o povo brasileiro tem com o atual governo, como também porta-voz de uma plataforma popular que visa soberania e dignidade ao Brasil. São os movimentos sociais que precisam encampar as Diretas Já acompanhadas de tal plataforma e é a UNE quem tem amplitude necessária para ser carro chefe destes movimentos sociais, como assim foi em 1992.
Em meio a tudo isto, ocorre o fórum mais importante do movimento estudantil do Brasil, o Congresso da UNE (Conune), que em sua última edição reuniu quase 15.000 estudantes, do Acre até o Rio Grande do Sul, para debater os rumos da educação e do Brasil. O Conune deste ano vem em momento ímpar, pois reúne todos fatores históricos da UNE de seus últimos 80 anos em um único espaço: 1. Combate ao Conservadorismo; 2. Defesa da Soberania Nacional e o combate ao Entreguismo; 3. Resistência à repressão bruta e à caça aos Movimentos Sociais; 4. Debate sobre a Reforma Política; 5. Campanha por Diretas Já. Talvez não tenha existido espaço tão necessário para a UNE encampar tal plataforma e valorizar a democracia de seu espaço. O 55º Conune – que ocorre entre 14 a 18 de Junho em BH, MG – trará vez e voz para a UNE respirar e dar rumo ao projeto longe do abismo que Temer nos leva.
Este se tornou o “Congresso dos Congressos”, com amplitude e democracia, pois é necessária muita unidade para barrar os retrocessos e colocar o Brasil no rumo certo; Viva os 80 anos da União Nacional dos Estudantes! Viva o povo brasileiro!

*Ergon Cugler é estudante da Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo (FATEC), diretor da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP) e presidente da UJS Baixada Santista.