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sexta-feira, 22 de setembro de 2017

UBM: Intolerânia é violência! Dispa-se do seu preconceito!

A intolerância religiosa é considerada um crime de ódio que fere a liberdade e a dignidade humana. O ato se manifesta em casos de violência física, como socos, apedrejamento, humilhações e isolamento social de pessoas, em negação da identidade religiosa por medo de represálias. Pesquisas feitas no Rio de Janeiro, registra que a maioria dos ofendidos são adeptos de religiões de matriz africana ou profissionais que abordam conteúdos dessas religiões em classe. 

Considerando esta informação temos muito pouco em políticas públicas no país que contribuam para avançar nesta questão, a referência é à Política Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais, que atentam para as religiões de matriz africana. Em especial neste caso isso se fortalece muito através do discurso da Democracia Racial, importante lembrar a origem cultural que nasceu e sobrevive o racismo e o preconceito, instrumentos sociais de segregação de toda a sorte, especialmente da contínua redução das religiosidades dos negros e de suas herdeiras em ações do mal, "negras” na magia, nas intenções e na fé. 

Infelizmente no momento atual o Direito a liberdade de crença está sendo violado. Recentemente nos deparamos com cenas de repetidas provas do quão perverso é a Discriminação. O Rio de Janeiro tem sido palco de atos desumanos de Intolerância religiosa. São pessoas que em nome de sua “FE”, entre aspas, pois a fé não tem e nem deve ter nenhuma correlação com a violência, mas infelizmente são palcos do fundamentalismo que gerou na história do mundo, muito derrame de sangue muita tortura e muita dor, com a exemplo do Holocausto. 

Os terreiros de Religiões de Matrizes Africanas, vem sendo atacados cruelmente demonstrando o quanto a fragilidade e a inabilidade de um governo, na manutenção da cidadania reconhecendo o seu dever de garantir a Laicidade de Estado. 

O momento desmedido de tanta transgressão com a supressão de direitos essencialmente humanos, que foram conquistados as duras penas, levam a barbárie. Estamos no início de uma convulsão social aonde gerou-se subliminarmente uma falsa sensação de impunidade. 

Ao par e paço que o Governo Federal se desmantela perante a sociedade com tantas denúncias, mostra com a falta de ações práticas, a sua inabilidade para com a Responsabilidade Social e gerenciamento humano de nosso Brasil, reverberando diretamente nas condutas que deveriam ser defendidas como o Estado Laico e o direito da liberdade de expressão, seguido do dever constituído de oferecimento da cidadania. 

Nunca foi tão atual a frase de Simone de Beauvoir é um alerta certeiro: “nunca se esqueça que basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. ” Sim pois o perfil da crise é exaltar todas estas questões que em maior profundidade é em nós que resvala. A violência apresentada com as mães de santo, a forma da humilhação também vinculada a questão de gênero e imbuída em inúmeros casos a questão da identidade sexual e de raça, mostra o retrocesso conservador tentando preencher os espaços que o povo ainda não se deu conta, mas que está aberto. 

O desafio aqui é sucumbir a ignorância, mas não teremos real possibilidade com um pais sem freios, e o freio, não pode se dar pela condução armada das forças militares como foi em um passado não muito distante, e sim, pela manifestação pública e democrática das Diretas Já. A organização social em todos os seguimentos, neste caso das Religiões de Matrizes Africanas devem ser apoiados urgentemente, por todos os setores que defendem a Justiça Social pelo pressuposto do Direito Humano. Precisamos retomar as rédeas do Estado Democrático de Direito, só assim poderemos continuar avançando sobre a implementação das políticas de prevenção, defesa e punição (legal) das violências sociais como Intolerância Religiosa, Racismo, Homofobia e Violência Contra a Mulher. 

A Constituição Federal estabelece que a liberdade de crença é inviolável, assegurando o livre exercício dos cultos religiosos, o texto constitucional determina que os locais de culto e suas liturgias sejam protegidos por lei. A LEI 9.459, DE 1997, CONSIDERA CRIME A PRÁTICA DE DISCRIMINAÇÃO OU PRECONCEITO CONTRA RELIGIÕES. 

Sendo assim a pasta de Combate ao Racismo da União Brasileira de Mulheres, se coloca e chama a todas e todos, para a luta contra a Intolerância Religiosa, solidariza-se com todas e todos ofendidos e ofendidas, no seu direto de exercício de liberdade religiosa. Estamos juntas, e solidarias as mães de santo e pais de santo, que foram perversamente violentados. 

“SE NÃO DER PRA SER AMOR QUE SEJA PELO MENOS RESPEITO” 

Por Nenhum Direito a Menos. 

Combate ao Racismo - União Brasileira de Mulheres - UBM

sábado, 4 de março de 2017

Em Santos, UBM participará de ato contra violência de gênero e Reforma da Previdência

Imagem: Basta de Violência Contra a Mulher BS

Está chegando o 8 de março - Dia Internacional da Mulher, diversas atividades acontecerão pelo Brasil, que passa por situação de retrocesso no campo dos direitos sociais e trabalhistas (promovida pelo usurpador Michel Temer e seus aliados), que prejudicará mais duramente as mulheres - em um contexto ainda de desigualdade de gênero. 
É nesse ambiente de resistência que será realizado o Ato "Pelo Fim da Violência Contra a Mulher e contra o Desmonte da Previdência", a partir das 16h30, na Estação da Cidadania (Av. Ana Costa, 340 - em frente ao Extra), com diversas atividades culturais: música, performance, exposição de pintura e de fotografias, oficina de stencil, apresentação de curtas-metragens. Às 18:30h, sairá uma marcha para levar as pautas à população. 
União Brasileira de Mulheres (UBM) é um dos movimentos organizadores do ato (Leia o Manifesto da UBM:  "8 de março: Fora Temer! Tire as mãos da nossa aposentadoria!"), junto com diversos coletivos de mulheres da Baixada Santista. 
No evento do ato, algumas informações da situação de violência de gênero no País são apresentadas
O Brasil é um dos países que mais matam mulheres, e o que mais mata pessoas transexuais. Entre os casos de violência doméstica, a maioria é presenciada pelos filhos que também são vítimas da violência, na maioria dos casos. 
Para a mulher negra a violência é ainda mais brutal: os assassinatos dessas tiveram um aumento de 54.2% entre 2002-2013, consequência nítida do racismo. Por ano acontecem 50 mil estupros: a maioria ocorre dentro de casa e é praticado por um conhecido da vítima. 

Ainda no manifesto do ato, as consequências para as mulheres da Reforma da Previdência, tentada pelo Governo Federal, também são abordadas: 

Nós, mulheres trabalhadoras, seremos as mais atingidas com o desmonte da previdência social pois precisaremos de 49 anos de contribuição e 65 anos de idade para nos aposentarmos. Esse aumento na a idade para se aposentar desconsidera o trabalho doméstico, que soma 5h a mais de trabalho por semana e continua nas costas das mulheres. A expectativa de vida no Brasil em muitas regiões é menor que 65 anos o que significa que muitas de nós vamos morrer antes de nos aposentar.  

UBM: Fora Temer! Tire as mãos da nossa aposentadoria!

Neste 8 de Março – Dia Internacional da Mulher, as mulheres ocuparão as ruas para lutar em defesa de seus direitos.
No mundo todo, a crise financeira internacional vem afetando diretamente os direitos das mulheres, e muitos direitos já conquistados estão sendo ameaçados: direito ao trabalho digno; à terem filhos se, quantos e quando quiserem; apoio dos Estados à maternidade com creches e; no Brasil querem acabar, inclusive, com o direito das mulheres à aposentadoria, tudo isso sempre sob o frágil argumento do “corte de gastos”. O que está por trás da falaciosa argumentação de que o Estado gasta demais, é o desejo de certa elite parasita de acabar com os investimentos públicos em políticas sociais para remeter mais e mais dinheiro para o sistema financeiro, não importando se à custa da vida de milhões de pessoas. Neste cenário de amplificação da pobreza e desemprego, somos nós, mulheres, as mais expostas e vulneráveis, especialmente as mulheres pobres e negras. Com o movimento feminista internacional, nos unimos às mulheres de todo o mundo que, neste 8 de Março, realizam a paralização internacional sob o mote “Se nossas vidas não importam, produzam sem nós!” Lutamos contra a crise e em defesa do trabalho das mulheres.
Na contramão de todos os países desenvolvidos, as mulheres e todo o povo brasileiro, sofremos com o golpe e a deposição de nossa primeira presidenta eleita, Dilma Roussef. Sob o comando ilegítimo de Michel Temer, e o Brasil despenca nos rankings internacionais. Dizem tentar construir saídas para a crise, mas, atendendo aos reclamos do capital financeiro, apostam em políticas que já fracassaram em todo o mundo. A receita amarga que preconiza o corte de investimentos e a privatização do patrimônio público mostrou-se um fiasco onde quer que tenha sido aplicada, e, ao contrário de construir saídas, ampliou a crise financeira e jogou a conta nas costas das trabalhadoras e dos trabalhadores. A dita “Reforma” da Previdência significa, na prática, o fim da aposentadoria para os trabalhadores brasileiros. Para nós mulheres, a injustiça será em dobro, pois, além dos absurdos 49 anos de trabalho para ter o direito à se aposentar, igualaram o tempo de contribuição necessário entre homens e mulheres, como se toda a carga de trabalho extra realizado em casa, quase que exclusivamente pelas mulheres, não valesse absolutamente nada! Por isso, não admitimos essa “Reforma” e exigimos a manutenção dos nossos direitos previdenciários.
A política suicida de Temer também está conduzindo o país ao caos e, cada vez mais, são os nossos direitos que estão sob risco. Sem investimento do Estado, a Lei Maria da Penha corre o risco de virar letra morta, deixando as brasileiras à mercê da violência doméstica, num dos países mais violentos com suas mulheres em todo o mundo: a cada 15 segundos, uma brasileira é espancada. Direitos consolidados como o direito ao aborto em casos de estupro e risco de vida para a mãe, também estão sendo ameaçados. O risco de retroceder décadas é real, o que nos dá ainda mais gana para lutar!
Nós, mulheres brasileiras, sempre demos provas de nossa combatividade! Deixamos claro, mais uma vez, que não aceitaremos o autoritarismo e o machismo e que não aceitaremos nenhum direito a menos! Para tanto, é necessário que o Brasil se una em torno de um projeto de país, encampado por forças políticas democráticas e com legitimidade para exercer o poder. Ou seja, a luta contra o machismo e a garantia de mais direitos para as mulheres brasileiras passa pela luta decidida contra o governo golpista.
Nenhum direito a Menos. Fora Temer! Diretas Já!

Março de 2017