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quinta-feira, 29 de junho de 2017

Luciana Santos: Encontrar saídas para a crise é essencial para o país

A presidenta nacional do PCdoB, Luciana Santos salientou o momento de crise política, institucional e econômica em que o país atravessa, em vídeo institucional gravado nesta semana. Para ela, o cenário de crise foi turbinado nas últimas semanas pela denúncia do envolvimento do presidente Michel Temer com crimes de corrupção.

"Esta sexta-feira, dia 30 deve ser um dia de paralisações e concentrações públicas denunciando a agenda ultraliberal do governo Temer. Nossa luta é contra essa agenda que apenas favorece uma pequena parcela da população pela qual este governo representa”, afirma. 



Fonte: Portal Vermelho

Centrais sindicais paralisam bases, nesta sexta (30/06)

Por Cezar Xavier

Movimentos sociais e sindicatos lutam contra as reformas promovidas pelo golpe, que fazem parte de um projeto político ultraliberal com aposta na desregulamentação do trabalho como caminho para estruturação da ordem social.




A CTB (Central dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Brasil), a CUT (Central Única dos Trabalhares), a Força Sindical, a CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil), a CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros), a CSP Conlutas (Central Sindical e Popular), a a Intersindical (Central da Classe Trabalhadora), a NCST (Nova Central Sindical de Trabalhadores) e a UGT (União Geral dos Trabalhadores) estão unificadas em torno da convocação de uma nova paralisação para esta sexta-feira, dia 30 de junho.
O motivo é aquele que vem concentrando preocupações e mobilizações dos sindicatos de trabalhadores e movimentos sociais progressistas, desde quando passaram a promover mobilizações unitárias: a luta contra as reformas trabalhista e da previdência, que estão em tramitação no Congresso Nacional. Até o momento, o ápice dessas mobilizações foi a greve geral de 28 de abril.
Uma das principais características da crise brasileira é a ofensiva dos grandes empresários de todos os setores de atividade contra o trabalho assalariado. O combate ao salário se dá tanto pela recessão em curso desde 2015, que produz desemprego e rebaixa a remuneração do trabalho, quanto pela contrarreforma dos direitos trabalhistas, orientada para favorecer unicamente a capacidade de aumentar a taxa de lucro dos empregadores.
Desde o golpe de estado, o salário médio no Brasil tem caído, abaixo da média salarial da China, país onde esse indicador vem subindo. Em março, foi sancionada a Lei da Terceirização, que permite às empresas contratarem outras empresas para prestarem serviços em todas as atividades, mesmo as atividades-fim. Assim, uma escola particular poderá contratar professores terceirizados, em vez de apenas faxineiros e seguranças, deixando os custos trabalhistas para a empresa terceirizada.
Em estágio avançado de tramitação no Congresso, a reforma trabalhista visa ir mais longe, flexibilizando ou eliminando direitos da CLT, como a jornada de trabalho, as férias e a contribuição sindical, além de permitir que, nos acordos coletivos, o negociado prevaleça sobre o legislado.
Ao mesmo tempo em que o patronato quer desmontar o movimento sindical, já fragilizado pela fragmentação do mundo do trabalho, extinguindo a contribuição sindical, aposta na vigência jurídica de negociações visando a forçar os assalariados a aceitarem acordos coletivos nos quais direitos como salário, jornada e férias possam ser contratados em termos piores do que a lei estabelece.
A proposta foi aprovada na Câmara, seguiu ao Senado, onde foi rejeitada na Comissão de Assuntos Sociais. A reação do governo golpista é aprová-la na Comissão de Constituição e Justiça e na votação final em plenário.
Para além destas medidas legislativas, o Executivo golpista promove ajuste fiscal recessivo, reduzindo a capacidade de investimento das empresas, a capacidade de consumo da população, e, consequentemente, gerando desemprego e queda na renda e na produtividade. O Novo Regime Fiscal aprovado, institucionalizado pela Emenda Constitucional nº 85/2016, limita o gasto público à variação da inflação do ano anterior, estabelecendo uma pressão imensa sobre as despesas do Estado destinadas à política social, aos investimentos e ao custeio. O objetivo é garantir o compromisso maior do pagamento da dívida pública aos rentistas, contratada a juros sobrelevados.
Outra contrarreforma-chave para atacar a alta dos salários indiretos ocorrida durante os Governos de Lula e Dilma, está nas mudanças que se quer fazer na previdência social. A reforma na previdência não visa a corrigir injustiças, mas aumentá-las, impondo perdas significativas de direitos, seja aumentando a idade mínima e o tempo de contribuição, seja diminuindo o valor dos benefícios. A aposentadoria integral torna-se praticamente inalcançável. A previdência social é considerada um dos melhores mecanismos de distribuição de renda mínimo num país de profunda desigualdade social.
As reformas promovidas pelo golpe fazem parte de um projeto político ultraliberal com aposta na desregulamentação do trabalho como caminho para estruturação da ordem social. Sua aprovação induzirá ao fortalecimento da Previdência Privada, fatia de mercado cuja expansão é cobiçada pelas instituições financeiras. Tanto essas modalidades de previdência privada, quanto toda a argumentação favorável às contrarreformas é incentivada por ideólogos da mídia corporativa, os comentaristas econômicos ou analistas financeiros do setor privado cotidianamente nas bancadas de telejornais e rádios, colunas de jornais e revistas, para propagar o pensamento neoliberal.
Em todo o mundo há uma pressão contra os trabalhadores e os sindicatos, desde a profunda crise financeira de 2008. O modelo neoliberal de capitalismo coleciona fracassos e impopularidade, gerando concentração de riqueza e renda, crescimento baixo, aumento da desigualdade e da instabilidade financeira. As políticas de austeridade e de ataque aos direitos trabalhistas e sociais, assim como a submissão dos sistemas políticos ao poder econômico visam a minar o sistema democrático, que, onde vigora plenamente, vira um entrave ao capitalismo financeirizado. Ao tentar garantir níveis de remuneração aos investidores, o mercado precisa suprimir a voz dos cidadãos, cuja demandas vão no sentido oposto deste objetivo.
Essa pressão contra o trabalho e suas organizações e contra a democracia é um elemento central da crise brasileira, inserida que está em um contexto internacional desfavorável. O golpe é uma ofensiva contra os direitos sociais e contra os avanços democráticos em curso no Brasil, ainda que gradativamente, desde a priemria vitória de Lula, pela via da inclusão por meio do mercado de trabalho, mas também de avanços nas relações entre Estado e sociedade, como a realização de conferências nacionais de políticas públicas e direitos.
Como agravante deste quadro, sequer pode-se defender a legitimidade dessas ações governamentais, seja pela agenda de reformas não ter sido aprovada nas urnas, seja pela ilegalidade de todo o processo que levou ao impeachment, seja pelas denúncias cada vez mais graves de corrupção envolvendo, não apenas membros do governo, como o próprio presidente usurpador. Temer é o primeiro presidente da República a ser investigado no STF por corrupção passiva, obstrução da justiça e por associação a organização criminosa.
Enquanto Temer e o Congresso, ambos sob alta rejeição da população, tentam aprovar a agenda maldita, os agentes de oposição a este projeto econômico vão à paralisação para tentar se fazer ouvir por aqueles que dependem do voto popular para a reeleição.

30/06: A Baixada Santista adere à greve geral contra as reformas de Temer

Em Plenária Aberta realizada ontem, as centrais sindicais prometeram parar a Baixada Santista nesta sexta-feira (30/06), em adesão à Greve Geral que será deflagrada em todo o País, contra as antirreformas previdenciária, trabalhista e lei de terceirização. Em Santos, na sede do Sindipetro-LP, o encontro reuniu mais de 200 pessoas: dirigentes sindicais, trabalhadores e representantes dos movimentos sociais e do movimento estudantil.

Bancos, refinaria, porto e setores da administração pública estarão fechados. Os grevistas pretendem bloquear estradas e fechar os acessos entre Santos e São Vicente.  A expectativa é que, por ser uma região metropolita, os piquetes nas principais vias de acesso afetem a rotina de diversas cidades da Baixada Santista.

Para a Frente Sindical Classista, que organizou a plenária, "a greve geral se apresenta como uma oportunidade de impulsionar e conectar as lutas específicas desses trabalhadores com as demandas mais gerais do conjunto da classe trabalhadora brasileira".

Sindicalistas, trabalhadores e manifestantes em geral devem marchar até a Praça Mauá, no centro de Santos, onde está prevista a realização de Ato Unificado, a partir das 11h.

Espera-se que a mobilização nesta sexta-feira (30) se compare à greve de 28 de abril, considerada a maior greve geral dos últimos 20 anos, ocasião em que a Baixada Santista foi uma das regiões mais movimentadas e, ao mesmo tempo, mais atingidas pela repressão policial. 



Greve geral pelo Brasil

"Seguindo orientação das nove centrais sindicais de que o Brasil deve parar neste dia, os principais sindicatos do país, trabalhadores do campo e da cidade anunciaram greves e protestos. [...] Segundo informações da Frente Brasil Popular, que organiza o dia 30 ao lado da Frente Povo Sem Medo e centrais sindicais, todos os estados brasileiros confirmaram a realização de atos. Além das capitais, cidades do interior também terão atos próprios. No estado de São Paulo 14 municípios confirmaram a adesão ao Dia de mobilização contra as reformas", informa o Portal Vermelho. 

O presidente nacional da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adilson Araújo, afirma que o movimento sindical “é convocado para resistir e salvaguardar não só os direitos mais também o sindicato como escudo de defesa contra a sanha do capital”. Ou seja,  “nesta sexta é dia de ganhar as ruas, mostrar nossa indignação e lutar contra o projeto que pode acabar com qualquer expectativa de futuro”, enfatizou.

“Vamos paralisar o Brasil e mostrar mais uma vez a capacidade da classe trabalhadora porque sabemos que se as reformas dos golpistas avançarem, a sociedade brasileira, os que ainda irão se aposentar, os mais jovens que nem entraram no mercado de trabalho, sofrerão com os retrocessos deste nosso momento. Estamos defendendo direitos conquistados com muito suor e sangue e o nosso papel é resistir até a vitória”, afirmou o presidente da Central Única dos Trabalhadores de São Paulo (CUT-SP), Douglas Izzo.


Do Blog PCdoB Santos com informações do Diário do Litoral e Portal Vermelho