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sexta-feira, 14 de julho de 2017

Sentença contra Lula fere todos os princípios do direito




O juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância, condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva; no processo que envolve o caso da compra e reforma de um apartamento triplex em Guarujá, no litoral de São Paulo, a pena de 9 anos e 6 meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.   
 

Por Dayane Santos

O Portal Vermelho conversou com o jurista Afrânio Silva Jardim, professor de Direito Processual Penal da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), ex-membro do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, por 31 anos consecutivos e ininterruptos, e um dos mais respeitados criminalistas do país, sobre a sentença de Moro.


Na decisão, Moro afirma que o triplex foi resultado de propina relativa a obras na Petrobras. A construtora pagou cerca de 3% do valor dos contratos e aditivos firmados. O preço do triplex e as reformas nele realizadas, segundo o magistrado, foram abatidas desse montante.


Na entrevista ao Vermelho, Afrânio fez questão de ressaltar que não leu todo o conteúdo da sentença, mas apontou que a acusação de lavagem de dinheiro, que fundamentou a sentença de Moro, não se sustenta.

“Não li toda a sentença, mas o que me causa estranheza é que Moro teria condenado o Lula por lavagem de dinheiro. Dinheiro que não recebeu e que não tem. E não teria ele participado, seja como autor, coautor ou mesmo partícipe, daqueles contratos lesivos à Petrobras. Seria necessário, se tivesse havido aquele ato ilícito, que ele tivesse um proveito e depois, para esconder esse proveito, ele comprasse o imóvel e colocasse em nome de outro. Ele não comprou o imóvel. Nem o imóvel passou a ser patrimônio dele. Como é lavagem do dinheiro que você não tem?”, questiona o criminalista.

Afrânio Jardim é autor de diversas obras de processo penal e considerado um dos mais influentes pensadores acadêmicos do sistema de Justiça criminal. Há 37 anos lecionando Processo Penal, Afrânio chegou a trocar e-mails com o juiz Moro sobre questões processuais e foi um entusiasta dos atos que cercavam o início das investigações da Lava Jato. Mas as ações da força-tarefa e a conduta do juiz Sergio Moro fizeram com que ele rompesse com o magistrado e se tornasse um dos principais críticos.

“Responsabilizar o Lula por um contrato lesivo à Petrobras, apenas porque ele era presidente da República, ou porque ele teria referendado a indicação que nem é ele quem faz, é um diretor da Petrobras, que teria depois praticado um ato ilícito, isso fere todos os princípios do direito, que trata da autoria e participação do delito”, explica o jurista.

Para o jurista, o processo configura um estado de exceção que, segundo ele, teve início com o ativismo judicial.

“O Judiciário começou a julgar de acordo com a sua conveniência, seus interesses. E como temos um Poder Judiciário conservador e reacionário, isso se tornou um perigo. Eu agora, voltei a ser legalista, positivista, coisa que não era. Já é um avanço cumprir a Constituição, pois se cair na mão dessa turma, nós não temos garantia nenhuma”, frisou.

Parecer

Recentemente, Afrânio Jardim publicou no site Empório do Direito um detalhado parecer sobre o caso do processo do ex-presidente Lula. A análise serviu de subsídios para a defesa de Lula na denúncia apresentada ao Comitê de Direitos Humanos da ONU.

O parecer aponta que Lula é vítima do chamado “Lawfare”, método de perseguição política no qual se utiliza o Judiciário. 

“Estou convicto de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está ‘previamente condenado’. Contra ele, criou-se um ‘clima’ de verdadeira perseguição, através de investigações policiais e processo penal carentes de tipicidade penal e do mínimo de provas de conduta de autoria ou participação em delitos. Como se costuma dizer: escolheram o ‘criminoso’ e estão agora procurando o crime”, afirma Afrânio.

Para ele, por motivos vários, a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e o Poder Judiciário, principalmente o juiz Sérgio Moro, “se ‘irmanaram’ naquilo que acham ser um ‘severo combate à corrupção’, daí o nome ‘Força-Tarefa da Lava-Jato’, que se tornou popular em nosso país. Tudo isso lastreado em massivo e constante apoio da grande imprensa”.

Do Portal Vermelho

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Com a presença de Lula, PCdoB lança candidatura de Carina em Santos

Foto: Mídia Ninja
O PCdoB homologou na noite desta quinta-feira (4) a candidatura da estudante Carina Vitral à Prefeitura da maior cidade do litoral paulista, Santos. Com uma instalação moderna e colorida, o evento lotou o auditório da sede do Sindicato dos Trabalhadores Administrativos em Capatazia (Sindaport . Cerca de 1200 lideranças participaram do ato.

Com o mote “Um novo futuro para Santos”, Carina ressaltou que sua candidatura é séria e com muitas chances de vitória. “Nós não nos candidatamos para cumprir tabela. Nós viemos para vencer, viemos para oferecermos um debate para a sociedade e uma alternativa para Santos”, disse.

O ato contou com a presença lideranças sociais e políticas, simpatizantes da candidatura, entre elas o ex-presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, o presidente estadual do PCdoB de SP, o deputado federal Orlando Silva, o presidente do PT de SP, Emídio Souza, o ex-ministro da Saúde Arthur Chioro, a prefeita de Cubatão, Marcia Rosa, e a ex-prefeita de Santos Telma de Souza. Além de diversas lideranças do movimento estudantil e dirigentes do PT e PCdoB.

Em sua fala, Carina agradeceu o apoio e a força da militância que abraçou o projeto da candidatura para ajudar a cidade. “Nós temos ideias boas, ideias renovadas e uma militância aguerrida que vai percorrer toda a cidade para construir esse futuro junto com a gente”, destacou a candidata.

O ato contou com a presença lideranças sociais e políticas, simpatizantes da candidatura, entre elas o ex-presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, o presidente estadual do PCdoB de SP, o deputado federal Orlando Silva, o presidente do PT de SP, Emídio Souza, o ex-ministro da Saúde Arthur Chioro, a prefeita de Cubatão, Marcia Rosa, e a ex-prefeita de Santos Telma de Souza. Além de diversas lideranças do movimento estudantil e dirigentes do PT e PCdoB.

Em sua fala, Carina agradeceu o apoio e a força da militância que abraçou o projeto da candidatura para ajudar a cidade. “Nós temos ideias boas, ideias renovadas e uma militância aguerrida que vai percorrer toda a cidade para construir esse futuro junto com a gente”, destacou a candidata.

O ex-presidente Lula fez um discurso em torno de 30 minutos, deu conselhos, falou que a elite brasileira, desde o descobrimento, nunca se preocupou em promover o estudo para os mais pobres, destacou a falta de universidades e escolas técnicas públicas e de qualidade no Brasil antes do seu governo, arrancou risadas do público, mas também falou sério. Ressaltou que seu governo foi o que mais criou universidades no país, com investimentos na ordem de R$ 41 bilhões.

“Passamos de três para oito milhões de universitários e isso incomoda e jamais se esperava de um presidente que não teve oportunidade de cursar o ensino superior”, disse Lula.

Para o ex-presidente, os governos anteriores nunca se preocuparam com a educação, “que o povo tivesse acesso, que o pobre se formasse”. Para eles, disse Lula, “nós, pobres éramos cidadãos de terceira categoria. O que eu queria dizer com isso é que para você incentivar a educação neste país, não precisa ser doutor ou ter diploma universitário, tem que ter compromisso de classe, ter sentimento e querer mudança”, enfatizou.

“Não tenho medo que façam comparação dos últimos 13 anos com os anteriores, seja pelas conquistas sociais, seja com o tratamento com o portador de deficiência, seja com os negros e negras, seja com os companheiros do movimento LGBT, seja com os quilombolas, seja com quem quiser. Eu topo fazer comparação histórica com eles [oposição]. E acho que ainda fizemos pouco”, apontou.

Descontraído, Lula parabenizou a candidata e a aconselhou a uma avaliação criteriosa sobre a composição do seu “futuro governo”. “Nunca deixe a máquina te dominar e nunca coloque no governo alguém que você não possa tirar”, finalizou Lula, pedindo a todos a apoiarem a candidatura da jovem comunista.

Com quase 325 mil eleitores, a cidade portuária de Santos está entre os 50 maiores colégios eleitorais do Brasil (42º, segundo dados do TSE da última eleição - 2014). O atual prefeito de Santos, Paulo Alexandre, do PSDB, tem 37 anos e é candidato à reeleição numa chapa-pura tucana. Criticado pela falta de iniciativas na administração da cidade, o prefeito cita a crise econômica internacional.

A candidata


Nascida em Santos há 28 anos, Carina Vitral é estudante de Economia na PUC-SP e atual presidenta da União Nacional dos Estudantes. Apesar de sua larga experiência como líder estudantil, é a primeira vez que ela disputa um cargo no Executivo. Antes de chegar à Presidência da UNE, Carina foi presidenta da União Estadual dos Estudantes de São Paulo.

Chapa


A convenção do PCdoB em Santos aprovou como vice na chapa o professor Reinaldo Martins, do Partido dos Trabalhadores (PT), que já foi vereador da cidade. Foi lançada ainda a chapa de vereadores, formada por 14 candidatos petistas e 3 do PCdoB.



Do Portal Vermelho, Eliz Brandão