terça-feira, 18 de julho de 2017

PCdoB/SP debate documentos congressuais e convoca Conferência Estadual

Nádia destaca trechos da Resolução Política Nacional.


Orlando Silva, presidente estadual do Partido, foi o responsável pela atualização política. Para ele, a economia não ‘anda’ e o país está estagnado devido a políticas econômicas inconsistentes. O único índice que aumenta é o do desemprego, com números que em algumas regiões retomam o cenário desolador dos anos 2000.

Sobre a reforma trabalhista aprovada no Congresso e sancionada, ele considera que faltou força no parlamento para barrá-la. “São medidas regressivas que restringem direitos e transferem os problemas para os trabalhadores em benefício dos patrões”, avalia. Orlando reforça a tese partidária que a saída para a crise está na construção de uma frente ampla contra o campo conservador.

Nádia Campeão apresentou o projeto de resolução do 14° Congresso do PCdoB, denominado Frente Ampla: novos rumos para o Brasil – democracia, soberania, desenvolvimento, progresso social. O documento tem quatro eixos: Conflitos e tensões no mundo, ofensiva imperialista e luta dos povos; Balanço dos governos Lula e Dilma e avaliação do desemprenho do PCdoB; Governo ilegítimo contra o Brasil e o povo; Fortalecer o PCdoB e elevar seu papel na resistência. Nádia destacou alguns pontos, num trabalho de síntese muito elogiado. Na sequência, os dirigentes entraram em um debate sobre o documento e sua importância neste momento de crise no Brasil. A construção da frente ampla foi um dos temas mais abordados.

Foi sugerido aos dirigentes municipais que realizem atividades de lançamento das teses do Congresso em suas cidades. Quem participou da reunião recebeu modelos do edital, da ata e do relatório das reuniões de base; que serão encaminhados posteriormente aos diretórios municipais.

O secretário estadual de Organização, André Bezerra, apresentou as propostas de alteração no Estatuto do Partido, que serão discutidas no processo do Congresso. Após um breve debate, Rovilson Britto, vice-presidente estadual, fez a leitura das normas para a conferência estadual e o congresso nacional. Ele também apresentou a proposta de criação de um Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE), não deliberativo, encarregado de encaminhar as discussões e filiações para a construção da chapa nas eleições de 2018. O grupo ficou composto por Nádia Campeão, Rovilson Britto Fernando Borgonovi, Davi Ramos, André Bezerra, Rodrigo Carvalho e Roberto de Oliveira.

Nivaldo Santana fez uma saudação em nome do Comitê Central do PCdoB, e foi aprovada a divulgação de uma moção de solidariedade ao ex-presidente Lula que tem sofrido uma série de ataques e foi condenado em um processo que carece de provas.

Ao final da reunião, Julia Roland foi eleita para assumir provisoriamente a secretaria da Mulher até a eleição da nova direção estadual na Conferência. Ela substitui Gislaine Caresia que se afastou do Partido por motivos pessoais. 

14º Congresso: a saga comunista que se renova

“Seu Partido acabou” esbravejou o estúpido e feliz agente do Doi-Codi da rua Barão de Mesquita, no Rio, quando lá cheguei em 17 de dezembro de 1976, logo depois de ser preso em São Paulo, na Chacina da Lapa. As torturas começaram em seguida.

Haroldo Lima*


 


Três anos após, ao sair da cadeia nos braços da anistia, o Partido estava lá, clandestino, pequeno, mas vivo. Audaz no aproveitamento das oportunidades, conquistou a legalidade em 1985, e então assumi a Liderança da pequena mas ardorosa bancada comunista na Câmara Federal. O partido que “acabou”, crescia.

Reveses aconteceram, vários. Um deles parecia fatal. A extinção, em 1989, da União Soviética, e com ela o desaparecimento de todo o campo socialista do Leste europeu. Realmente tinha-se a impressão que o socialismo chegara ao fim. Um autor americano, famoso e apressado, correu e publicou logo um livro, “O fim da história”. Um sucesso. Foi um tempo difícil: partidos comunistas mudaram de nome, de programa, de cor, de símbolo.

Mas nem todos. Entre os que não sucumbiram, havia um que contava com algumas dezenas de milhões de filiados, o Partido Comunista da China. E um outro não tão grande, mas do mesmo naipe e mesma idade, o Partido Comunista do Brasil.

O tempo mudava o mundo, alterava tudo, cobria “o chão de verde manto que já coberto foi de neve fria". Quem não mudasse com o mundo mutante e não encontrasse as veredas do novo existir, cessava a busca do futuro incerto, não tinha chance de sobreviver, perecia.

E foi assim que a China vislumbrou caminhos novos para continuar sua construção socialista, ajustando-se aos novos tempos a às condições chinesas. Enveredou por aí e teve enorme sucesso. O “fim da história” gorou.

Os comunistas do Brasil também enxergaram sendas nunca dantes transitadas. Engajaram-se em um movimento que levou um operário à presidência da República em 2002 e deliberaram participar do governo por ele formado, uma inovação no comunismo.

E o Partido que "acabou" em 1976, e que não tinha mais o que fazer com o “fim da história”, em 1989, projeta-se com deputados, prefeitos, presidentes de agências reguladoras nacionais, governador, ministros e chega a ocupar a Presidência da Câmara e até Presidência da República. Mas, não foi só.

Participa da criação de uma Central de Trabalhadoras e Trabalhadores, da organização de uma série de entidades democráticas e populares, da aglutinação da mocidade na União da Juventude Socialista, e da continuidade combativa da União Nacional dos Estudantes e União Brasileira dos Estudantes Secundaristas.

Agora, em 9 de julho de 2017, o PC do Brasil convocou o seu 14º Congresso Nacional, a ser realizado em novembro. A saga comunista se renova.

Um Projeto de Resolução foi aprovado para nortear os debates que se seguirão. Servirá como base para uma reflexão sobre a prática política no Brasil nos últimos anos. Fala da realidade viva, realça vitórias conquistadas, aponta debilidades e erros, faz críticas e autocríticas. Refere-se à situação do mundo e do Brasil.