sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

UJS Baixada Santista e JPT Santos buscam unidade dos movimentos sociais na Região

Imagem: André Cypriano
Na sexta-feira passada (26/11), no Diretório Municipal do PT em Santos, foi realizada reunião de pré-lançamento da Juventude do Partido dos Trabalhadores da cidade, a JPT, que contou com a presença do presidente da UJS Baixada Santista, Ergon Cugler.

Debateu-se a atual conjuntura política, a respeito da PEC 55 (antiga 241) e MP 746 da antirreforma do Ensino Médio, além da necessidade de reorganização e unificação do Partido dos Trabalhadores, da unidade dos movimentos sociais e do campo progressista, tendo em vista a superação das dificuldades enfrentadas.

Segundo Ergon, a UJS se coloca à disposição para ajudar na construção dos movimentos sociais na Baixada Santista. “Nós acreditamos que a unidade dos movimentos sociais é o principal foco de resistência que nos resta frente a esse governo ilegítimo que se instaurou no País”, afirma.

“Essa unidade tem também como alvo o conservadorismo no Estado de São Paulo, governado por Geraldo Alckmin, e na Baixada Santista, cuja figura central é o prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa”, completa.

Já assumiram a presidência e a coordenação política da JPT de Santos, João Pedro Cardote e Leandro Rodriguez, respectivamente. De acordo com Rodriguez, o evento oficial de lançamento será marcado em breve - provavelmente, janeiro de 2017.

“É extremamente importante o apoio da UJS, um dos mais importantes movimentos de jovens do país. O apoio à JPT de Santos é fundamental, pois, se queremos construir a unidade, é só com atitudes como essa que podemos”, afirma Rodriguez.


Fonte: UJS Baixada Santista

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

PCdoB: Fidel Castro figura no panteão dos gigantes da humanidade


O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) divulgou, nesta segunda-feira (28) uma nota sobre a morte do líder cubano Fidel Castro ocorrida na noite de sexta-feira (madrugada de sábado no Brasil). O texto, assinado pela presidenta do Partido, Luciana Santos e por José Reinaldo Carvalho, secretário de política e relações internacionais, afirma que “desde a mais remota aldeia da Sibéria até as savanas da África, o nome de Fidel Castro Ruz soa como um grito de luta por liberdade e igualdade”. Para o PCdoB, “Fidel figura no panteão dos gigantes que lutaram pelo progresso da humanidade, enfrentando o atraso e o obscurantismo”. Leia abaixo a íntegra da nota.
Ao General de Exército Raúl Castro Ruz
Primeiro-Secretário do Partido Comunista de Cuba
Ao Comitê Central do Partido Comunista de Cuba
Queridos camaradas,
Em nome dos dirigentes e militantes do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) expressamos nossa profunda consternação diante da morte do inesquecível comandante Fidel Castro Ruz.
Fidel Castro foi o principal líder de uma revolução que libertou o povo cubano dos grilhões da dominação imperial, e conduziu sua nação ao caminho do desenvolvimento soberano, com justiça social e liberdade.
Tal feito, em sua dimensão e profundidade, é inédito na história da Nossa América. Sua ousadia e pioneirismo empolgou milhões ao redor do mundo, tendo Fidel tornado-se depositário do carinho e da afeição de pessoas de todos os recantos do globo. Desde a mais remota aldeia da Sibéria até as savanas da África, o nome de Fidel Castro Ruz soa como um grito de luta por liberdade e igualdade.
Aos sórdidos e baixos ataques do inimigo, Fidel respondia sempre com invulgar e inabalável dignidade. Sobre Fidel, cabem as mesmas palavras que Engels pronunciou diante do túmulo de Marx:
“Foi o homem mais odiado e mais caluniado do seu tempo. Governos, tanto absolutos como republicanos, expulsaram-no; burgueses, tanto conservadores como democratas extremos, inventaram ao extremo difamações acerca dele. Ele punha tudo isso de lado, como teias de aranha, sem lhes prestar atenção, e só respondia se houvesse extrema necessidade”.
De fato, Fidel venceu as tentativas de assassinatos, os ataques, as calúnias, sempre contando com a força de sua gente e com a solidariedade dos povos do mundo. Solidariedade que ele e Cuba prestaram mais do receberam.
Todos devemos muito a Fidel Castro Ruz. Seu exemplo seguirá inspirando gerações de lutadores pela justiça social.
O PCdoB considera que Fidel figura no panteão dos gigantes que lutaram pelo progresso da humanidade, enfrentando o atraso e o obscurantismo.
Inclinamos reverentes nossas bandeiras vermelhas em memória de Fidel Castro ao mesmo tempo em que fazemos soar bem alto o brado altaneiro do eterno comandante:
Viva Cuba!
Viva a Revolução!
Até a vitória, sempre!
Luciana Santos
Presidenta do PCdoB
José Reinaldo Carvalho
Secretário de Política e Relações Internacionais
Pelo Comitê Central do PCdoB

sábado, 26 de novembro de 2016

Fidel, por Eduardo Galeano

E seus inimigos não dizem que apesar de todos os pesares, das agressões de fora e das arbitrariedades de dentro, essa ilha sofrida mas obstinadamente alegre gerou a sociedade latino-americana menos injusta.

Por Eduardo Galeano

Seus inimigos dizem que foi rei sem coroa e que confundia a unidade com a unanimidade.

E nisso seus inimigos têm razão.

Seus inimigos dizem que, se Napoleão tivesse tido um jornal como o Granma, nenhum francês ficaria sabendo do desastre de Waterloo. E nisso seus inimigos têm razão.

Seus inimigos dizem que exerceu o poder falando muito e escutando pouco, porque estava mais acostumado aos ecos que às vozes. E nisso seus inimigos têm razão.

Mas seus inimigos não dizem que não foi para posar para a História que abriu o peito para as balas quando veio a invasão, que enfrentou os furacões de igual pra igual, de furacão a furacão, que sobreviveu a 637 atentados, que sua contagiosa energia foi decisiva para transformar uma colônia em pátria e que não foi nem por feitiço de mandinga nem por milagre de Deus que essa nova pátria conseguiu sobreviver a dez presidentes dos Estados Unidos, que já estavam com o guardanapo no pescoço para almoçá-la de faca e garfo.

E seus inimigos não dizem que Cuba é um raro país que não compete na Copa Mundial do Capacho.

E não dizem que essa revolução, crescida no castigo, é o que pôde ser e não o quis ser. Nem dizem que em grande medida o muro entre o desejo e a realidade foi se fazendo mais alto e mais largo graças ao bloqueio imperial, que afogou o desenvolvimento da democracia a la cubana, obrigou a militarização da sociedade e outorgou à burocracia, que para cada solução tem um problema, os argumentos que necessitava para se justificar e perpetuar.

E não dizem que apesar de todos os pesares, apesar das agressões de fora e das arbitrariedades de dentro, essa ilha sofrida mas obstinadamente alegre gerou a sociedade latino-americana menos injusta.

E seus inimigos não dizem que essa façanha foi obra do sacrifício de seu povo, mas também foi obra da pertinaz vontade e do antiquado sentido de honra desse cavalheiro que sempre se bateu pelos perdedores, como um certo Dom Quixote, seu famoso colega dos campos de batalha.

(Do livro “Espelhos, uma história quase universal”)

Tradução: Eric Nepomunceno



Fonte: Portal Vermelho