sábado, 26 de novembro de 2016

Comandante Fidel Castro, presente!

Bolívar lançou uma estrela que junto a Martí brilhou e Fidel a dignificou para andar por estas terras.

Impossível não recordar estes versos, da Canção para a unidade latino-americana, no momento em que Fidel Castro se despede da vida.

Neles o compositor Pablo Milanês colocou, com felicidade, na mesma linha histórica, três gigantes da luta pela liberdade em nossas terras: Bolivar, José Martí e Fidel Castro.

Tristeza e consternação - estas palavras indicam o sentimento provocado pelo fim de uma vida longa dedicada à construção de um mundo novo, de justiça, liberdade e igualdade.

A luta de Fidel Castro começou faz mais de meio século, quando era ainda estudante e se engajou na batalha que nunca abandonou. Aos 90 anos de idade, deixa a vida mantendo o mesmo empenho e ímpeto revolucionário que abraçou quando jovem.

Mesmo seus detratores são obrigados a reconhecer a importância da luta popular e libertadora que dirigiu desde a década de 1950, deixando um exemplo histórico a ser seguido pelos revolucionários.

O jornal The New York Times, em sua edição deste sábado (26), por exemplo, diz ter sido “muito mais que a repressão e o medo” o que manteve Fidel Castro e a revolução no poder. Para multidões, reconhece o diário novaiorquino, ele foi “um herói revolucionário para a posteridade”, tendo sido talvez “o líder mais importante da América Latina desde as guerras da independência do início do século 19”.

Afastado do exercício do governo em 2008, Fidel Castro comandou uma transição vitoriosa do poder revolucionário em Cuba. Sua atuação, desde então, foi sobretudo ideológica, no combate ao imperialismo, em defesa da soberania nacional, da revolução em Cuba e no mundo, em busca de um mundo mais justo para todos, um mundo onde as mazelas do capitalismo sejam superadas.

Ele se afasta do cenário neste momento mas permanece em seu exemplo e suas ideias, que vencerão!

Comandante Fidel Castro, presente!



Fonte: Portal Vermelho

domingo, 13 de novembro de 2016

Determinismo ou liberdade absoluta? Nem um, nem outro (de um debate sobre Ética…)

Por Cesar Mangolin (*)

Há uma tentativa de conceber a vida humana como determinada integralmente. Essa tentativa não é somente de algumas vertentes religiosas, mas também de algumas dadas concepções científicas. Sem dúvida, embora em campos bem distintos, a conclusão de cientistas e religiosos conflui para o mesmo veredicto: há um destino, uma pré-determinação, a ausência de autonomia do humano diante do inexorável caminho a seguir.

No campo da ciência há, de um lado, a defesa, à semelhança da física newtoniana, de que vivemos sob um conjunto de leis imutáveis que nos conduzem inexoravelmente por caminhos previsíveis; de outro, há a tentativa de naturalizar (daí o recurso à ciência) os comportamentos humanos, como se derivassem apenas de disposições genéticas, contribuindo para tanto muito pouco o contexto histórico no qual vivemos. Tal naturalização, que ocorre também no universo das ciências sociais (exemplo disso pode ser encontrado na economia clássica e no pensamento liberal em particular), tem na verdade outras intenções ou consequências: naturalizar o comportamento humano permite justificar determinados aspectos que, se fossem tratados como históricos, políticos, culturais exigiriam uma intervenção de outro tipo e, inclusive, solução: exemplos disso são as tentativas de justificar (naturalizando) as desigualdades sociais, a exploração de grupos étnicos, a exclusão de determinados grupos por gênero, orientação sexual etc..

De outro lado, há a tentativa de definir o humano como totalmente livre, ou seja, capaz de tornar sua existência apenas o que bem quiser que ela seja, tomando as decisões ou “escolhendo” o caminho a seguir. No geral, por detrás da ideia da liberdade absoluta está outro mito do nosso tempo: a figura do indivíduo, compreendido com um ser singular que existe antes da vida social, sendo as instituições estatais responsáveis pela preservação dos direitos naturais e individuais (vida, propriedade privada, liberdade). Podemos encontrar esse tipo de compreensão no final do século XVII, em John Locke, pai do pensamento liberal, no Segundo Tratado Sobre o Governo Civil, que influenciou largamente tanto as ideias predominantes do movimento Iluminista, quanto a consolidação prática do ideário das revoluções que colocaram fim ao Antigo Regime na Europa Ocidental e na independência dos EUA, bem como nos movimentos de independência das colônias espanholas e portuguesas no século XIX. A permanência dessas ideias é compreensível, pois se tornaram funcionais à reprodução das sociedades capitalistas.

O fato concreto é que, indo para além das aparências e dos discursos fáceis de existencialismos diversos, podemos constatar com alguma facilidade que não somos nem livres totalmente, nem determinados completamente. Isso não significa buscar o meio termo para a solução do problema.

É claro que somos pessoas singulares, mas essas singularidades orgânicas pertencem a um conjunto de relações sociais determinadas historicamente. É o que permite com que falemos dos humanos como “produtos do meio”, ou seja, nós nascemos em lugares sociais que não escolhemos, em momentos históricos que não escolhemos e antes mesmo de tomarmos consciência de que somos seres vivos e que, como os demais, iremos morrer um dia, já somos amplamente influenciados e determinados pelo conjunto dessas relações e pela maneira como nos inserimos nelas. O “sujeito” é, antes de tudo, aquele que passou por esse processo de sujeição.

Pensar a liberdade humana, portanto, exige levarmos em consideração essas contingências. Devemos incluir para esse debate, categorias como possibilidade, probabilidade, necessidade e acaso. É o conjunto dessas circunstâncias que determinam nossa existência que abre “leques limitados de possibilidades”, diante dos quais fazemos escolhas, nem sempre de acordo com a vontade individual. O acaso deve ser entendido aqui como acontecimentos ou o encontro aleatório de elementos que pode abrir e fechar possibilidades, tornar algumas delas mais prováveis e outras mais distantes. A liberdade de escolha é, portanto, contingente, relativa, jamais absoluta.

Para a reflexão ética do nosso tempo, assim como aparece em autores mais antigos, tais considerações deveriam nos levar à tentativa de orientarmos essas escolhas e decisões contingenciadas tendo sempre em vista a concretização do bem comum, ou seja, adotarmos o critério da escolha que menos afete negativamente o conjunto e que mais traga benefícios coletivos, fugindo assim do culto ao indivíduo e do egoísmo e enfrentando, de fato, os problemas que tornam as nossas relações sociais desiguais e violentas. Aqui, novamente, a figura mítica do indivíduo deve ser abandonada.


(*) Professor universitário, sociólogo e filósofo. Militante do PCdoB.

Trump Presidente: Expressão política do reacionarismo e decadência do imperialismo estadunidense



O republicano Donald Trump ganhou as eleições presidenciais dos Estados Unidos, derrotando a candidata do Partido Democrata, Hillary Clinton, que despontava como favorita em todas as pesquisas de opinião pública e era tida como imbatível pela mídia burguesa, seus analistas de política internacional, acadêmicos e chancelarias mundo afora. Derrotado também o presidente Barack Obama, apesar do propalado carisma e fabricada popularidade. Os republicanos venceram também as eleições legislativas tanto na Câmara como no Senado.

Por José Reinaldo Carvalho*

A campanha foi marcada por uma retórica agressiva, escândalos, acusações pessoais, que expuseram as vísceras de um sistema político vendido como “a maior democracia do mundo”, mas que é de fato decadente e falido, uma plutocracia cada vez mais distante dos princípios democráticos.

Ganhou um magnata, demagogo, populista de direita, sexista, racista, anti-imigrantes, xenófobo, com traços fascistas, o que indica o crescimento de uma tendência de direita acentuada, o aumento da ofensiva contra os direitos dos trabalhadores e do povo, uma manifestação no âmbito político da profunda crise estrutural e sistêmica da sociedade estadunidense, expressão dos impasses do sistema capitalista-imperialista, das incuráveis lacerações da sociedade americana.

O aprofundamento da crise nos Estados Unidos implica a adoção de políticas ainda mais antipopulares pela burguesia imperialista e revela o caráter reacionário de suas instituições. É falso dizer que venceu a “antipolítica” ou a negação da política. Na verdade, venceu uma política determinada, ainda mais direitista, que explora um sentimento disseminado de rejeição às instituições. É igualmente uma ilusão supor que Hillary representasse uma vertente “progressista”. Ela foi a candidata do ” establishment”, da convergência entre o partido democrata e setores do republicano.

Da lama em que estão submersos Hillary Clinton e Donald Trump nada emergirá de bom para os povos.

Hillary não representava, a mera “continuidade”, a “estabilidade” e “previsibilidade”, uma situação “fácil de lidar” por aliados e adversários dos Estados Unidos, como pretendem os analistas de fancaria que previram a sua “vitória acachapante”. Sua eleição já seria por si mesma uma escalada na política imperialista, seria mais, muito mais do mesmo em termos de agressividade contra os povos. Imbuída da ideia de “restaurar a liderança mundial dos EUA”, afirmou durante a campanha que a manutenção da “segurança” do país e a difusão dos “valores americanos” seriam as suas prioridades. Prontidão militar e fortalecimento de alianças seriam os seus métodos preferenciais, para exercer uma política externa “sem medo”. Intervencionismo ainda maior na região do Oriente Médio, reafirmação da aliança com o Estado sionista israelense e contenção da Rússia e da China faziam parte da sua plataforma de política externa.

Quanto a Trump, embora centrado em temas de política interna, deixou claro durante a campanha seu caráter agressivo, sua tendência ao uso da força e a reafirmação dos piores traços da política externa imperialista. O presidente eleito afirmou na campanha que priorizará a restauração da força, do poder, da grandeza e da primazia dos interesses dos Estados Unidos no mundo, mesmo que para isso precise sacrificar os interesses de seus aliados mais próximos. Prometeu ampliar o poder militar, capacitando o país a não sofrer ameaças de absolutamente ninguém, defendeu a imprevisibilidade das ações da superpotência, a modernização e o uso das armas nucleares.

Quanto às relações com a China e a Rússia, diz que pretende uma “convivência pacífica”, mas garantiu que irá traçar um limite e responder duramente quando alguém o ultrapassar.

Há muita incerteza e novos temores no mundo sobre o que ocorrerá depois que o presidente eleito tomar posse na Casa Branca. Na essência, as linhas gerais da agressividade dos Estados Unidos tendem a se manter. A superpotência norte-americana é o maior fautor de guerras de agressão e do militarismo no mundo. Suas despesas militares ultrapassam os 500 bilhões de dólares, suas bases militares, mais de oitocentas, encontram-se espalhadas em todos os continentes em mais de uma centena de países. Seu braço armado para a Europa e toda a região do Atlântico Norte, a Otan, expande-se para Leste e atua nas campanhas bélicas do Oriente Médio e na Ásia Central.

Suas frotas navais singram os mares mundo afora, exercendo o poder marítimo como concepção estratégica para o domínio do mundo. Seus comandos militares, instalados em regiões estratégicas, continuam cumprindo o papel de pró-consulados e de principais agentes da política externa dos Estados Unidos, que se confunde com as políticas de Segurança e Defesa.

No momento em que se acentuam as disputas entre os círculos mais reacionários das classes dominantes estadunidenses, concentrados nas cúpulas dos partidos democrata e republicano, os comunistas brasileiros reiteram seu empenho pela união dos povos, dos verdadeiros democratas, progressistas e anti-imperialistas, na luta pela soberania nacional, o progresso social, a justiça, o direito internacional e paz mundial.



* Jornalista, membro do Comitê Central, da Comissão Política Nacional, do Secretariado Nacional e responsável pela Secretaria de Política e Relações Internacionais do PCdoB

Fonte: Resistência (Site da Secretaria de Política e Relações Internacionais do PCdoB)