quarta-feira, 10 de outubro de 2012

PCdoB dobra o número de vereadores no Estado de São Paulo


“O partido sai fortalecido por ter atingido o objetivo”, afirmou o presidente em exercício do Comitê Estadual do PCdoB/SP, Marcel o Cardia, em entrevista ao Vermelho São Paulo. Foram eleitos 69 vereadores neste ano o que representa um aumento de cerca de 100% em comparação a 2008 quando o partido elegeu 35 vereadores.


Railídia Carvalho
Marcelo Cardia, presidente em exercicio do PCdoB/SP
Cardia: "PCdoB sai fortalecido no Estado de São Paulo"

Nas próximas três semanas, a energia da militância estará voltada para as disputas de segundo turno. As prioridades do PCdoB são a eleição de Pedro Bigardi à prefeitura de Jundiaí e de Fernando Haddad, na capital, onde o partido está representado na chapa majoritária com a vice, Nádia Campeão.

Vermelho São Paulo - O que você destaca no resultado eleitoral de 2012 para o PCdoB no Estado?
Marcelo Cardia - O partido sai fortalecido nessas eleições por ter alcançado o objetivo de dobrar a bancada estadual de vereadores. Também elegemos vereadores em 12 das 25 cidades com mais de 200 mil habitantes apontando a representatividade do PCdoB em grandes centros. A força da militância e o projeto estadual apresentado foram fundamentais para o êxito nas eleições.

Vermelho São Paulo – Em que cidades de médio a grande porte o PCdoB assegurou cadeira nas Câmaras Municipais?
Marcelo Cardia - Elegemos vereador na Capital (Netinho de Paula), em Osasco elegemos o Toniolo, que foi o vereador mais votado da cidade. Em São Bernardo e em Mogi das Cruzes fizemos dois vereadores por cidade. Também conseguimos representação nas Câmaras de Campinas, Guarulhos, Taubaté, Ribeirão Preto, Taboão da Serra, Jundiaí e São José do Rio Preto. Em outras dez cidades sem segundo turno conseguimos eleger dois vereadores por cada município. 

Vermelho São Paulo - No campo majoritário o PCdoB também conquistou bons resultados no interior do Estado.
Marcelo Cardia – Além de reeleger o prefeito de Monte Alegre do Sul conseguimos mais três novas prefeituras nas cidades de Apiaí, Mirassolândia e Taquarituba. Elegemos também como vice-prefeitos o Caldas, em Botucatu; Antonio Eduardo Boretti, em Itapira; Daniel de Souza Silva, em Pradópolis; e Carlão da Saúde, em Rio das Pedras. Em Iacanga, município próximo a Bauru, elegemos três vereadores para a Câmara local.

Vermelho São Paulo – Para o segundo turno qual será a prioridade do PCdoB no Estado? 
Marcelo Cardia – A nossa militância está preparada para o segundo turno em municípios em que a nossa coligação concorre como Sorocaba, Campinas, Diadema, Ribeirão Preto, Santo André e Taubaté. Cidades como Jundiaí e a capital paulista se destacam porque a nossa vitória nesses lugares representa a chegada de um novo ciclo político progressista nesses municípios. Faremos todo o esforço para confirmar a vitória de Pedro Bigardi em Jundiái e também, junto com o partido da Capital, levar Nádia e Haddad à prefeitura de São Paulo.


De São Paulo, Railídia Carvalho

terça-feira, 9 de outubro de 2012


Nádia Campeão: “A campanha atingiu o ponto alto na reta final”


Candidata a vice-prefeita na chapa de Fernando Haddad, a comunista Nádia Campeão apontou em entrevista ao Vermelho São Paulo a solidez das propostas, os apoios de Lula e Dilma e a força da militância como o conjunto que levou a chapa Haddad/Nádia para o segundo turno. Ela lembrou ainda que ninguém conhece as propostas do adversário para São Paulo. “Ele quer puxar para um debate nacional estéril”, afirmou.


facebook/haddad13
Nádia Campeão e Haddad resultado primeiro turno
Nádia e Haddad comemoram ida para segundo turno em São Paulo
Vermelho São Paulo: O que foi preponderante para que a chapa Haddad e Nádia chegasse à disputa do segundo turno?Nádia Campeão: Foram vários fatores. A campanha foi crescendo e chegou na reta final num ponto alto, fruto de um trabalho que foi se acumulando. Haddad começou como um desconhecido e terminou com as pessoas sabendo quais as propostas dele e quem o apoiava. Foram importantes os apoios de Lula e Dilma, principalmente de Lula, que esteve muito presente. Temos ainda o trabalho da militância, que foi muito forte, dando volume à campanha. Fizemos um confronto político aberto dando elementos para que a população pudesse comparar as nossas propostas com os demais candidatos.

Vermelho São Paulo: Qual será o foco da campanha agora?Nádia Campeão: Vamos manter basicamente a linha de defender o nosso programa que é um programa avançado de realizações para São Paulo. Continuar defendendo a ideia de mudança para a cidade. O primeiro turno demonstrou que São Paulo votou pela mudança. Serra teve apenas 30% dos votos e os demais votos foram para os demais candidatos, todos de oposição. Nós representamos a melhoria que São Paulo precisa para se inserir no projeto nacional. Agora é o momento de ampliar os apoios. 

Vermelho São Paulo: Algum tema vai prevalecer no debate neste segundo turno?
Nádia Campeão: No primeiro turno a questão do transporte público teve muito peso. Da nossa parte esse tema é um dos nossos carros-chefe ao lado de Saúde, Educação e Moradia popular. A campanha do Serra não apresentou programa no primeiro turno. Ninguém conhece o programa dele. Nós continuaremos detalhando o nosso programa de desenvolvimento para São Paulo que é o Arco do Futuro. Não nos furtamos a debater temas mais gerais mas o tema principal é o que trata das soluções para a cidade enquanto o Serra quer puxar para um debate nacional estéril.

Vermelho São Paulo: 
Qual o papel da militância neste momento?Nádia Campeão: A batalha para o segundo turno vai exigir muito debate político na cidade. O papel da militância é mobilizar as forças, debater com os eleitores, manter a campanha com visibilidade e juntar novas forças, novos apoiadores em toda a cidade. Neste momento os eleitores estão se reposicionando e a militância deve estar preparada para este novo quadro. Deve estar preparada também para os ataques do adversário, que costumam ser agressivos e fora do debate político da cidade.

De São Paulo, 
Railídia Carvalho

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Crise pode ampliar desigualdade entre homens e mulheres


Historicamente, as relações desiguais entre homens e mulheres na sociedade foram sustentadas pela separação e hierarquização do trabalho através do sexo. O trabalho de homens e mulheres é separado entre produtivo e reprodutivo, e é hierarquizado de tal forma que o trabalho produtivo, considerado “masculino”, tem maior valor econômico que o reprodutivo, considerado “feminino”. Historicamente, também foram relegados às mulheres o trabalho doméstico e de cuidados, não remunerados e excluídos do que se compreende hoje por economia.
Romper com a divisão sexual do trabalho sempre foi uma luta do movimento feminista. Porém, num cenário de crise capitalista como o atual, colocar este tema no centro do debate é estratégico para combater as desigualdades entre homens e mulheres.
Reunidas esta semana num seminário internacional em São Paulo, especialistas do campo da economia feminista de diferentes partes do mundo afirmaram: é urgente construir uma nova dinâmica de relações sociais e desenhar um novo paradigma de sustentabilidade da vida humana.
“A divisão sexual dos trabalhos profissional e doméstico entre homens e mulheres não é resultado de uma conciliação harmônica entre papéis, mas de relações sociais contraditórias e antagônicas. É reflexo de relações de exploração, opressão e dominação dos homens sobre as mulheres”, afirma Helena Hirata, socióloga e pesquisadora do Centro Nacional de Pesquisas Científicas (CNRS) da França. “Daí a importância de reconceitualizar o trabalho da maneira mais ampliada possível, de ter uma visão ampla de trabalho: profissional e doméstico, remunerado ou não, formal ou não formal. Se excluímos o trabalho doméstico da economia, tornamos invisível grande parte do trabalho das mulheres”, explica.
O tema não é novidade. Apesar do ascenso das mulheres no mercado de trabalho nos últimos 45 anos – incluindo a ultrapassagem dos homens no campo da escolaridade em quase todas as áreas – os trabalhos domésticos e de cuidados permanecem a cargo das mulheres.
Na França, por exemplo, uma mulher casada com filhos dedica ao trabalho doméstico 4,36 horas por dia, enquanto os homens destinam apenas 2 horas aos serviços da casa e da família. No Japão, a desigualdade é brutal: mais de 4 horas por dia para as mulheres contra 20 minutos dos homens. No Brasil, a última pesquisa do IBGE mostrou que, em 2009, as brasileiras dedicavam 20 horas semanais ao trabalho doméstico contra 9,5 dos homens.
Segundo as pesquisas, a desigualdade também persiste no mercado de trabalho convencional. Com o aprofudamento da globalização, a precarização do trabalho atingiu mais as mulheres do que os homens do ponto de vista do emprego. “Os empregos femininos criados são vulneráveis, com condições de trabalho precarizado. Lutamos muito para haver trabalho profissional para as mulheres, mas isso reforçou toda uma lógica de trabalho precarizado”, disse Helena Hirata. “E as mulheres que saíram de casa para trabalhar o fizeram com o que chamamos de externalização do trabalho doméstico, via delegação das tarefas de cuidar das roupas, da casa e das crianças para outras mulheres. Esta delegação é incrivelmente desenvolvida no Brasil. Em 2010 eram quase 7 milhões de mulheres diaristas”, acrescenta.
Para a equatoriana Magdalena Leon, da Rede Latino-americana Mulheres Transformando a Economia (REMTE), o próprio modelo capitalista se encarregou de tornar as mulheres visíveis e de instrumentalizá-las para sua sustentação, com a multiplicação de trabalhos. “Durante o ajuste neoliberal, por exemplo, quando o que estava em jogo era a mercantilização da vida, as mulheres desenvolveram estratégias de sobrevivência, afirmando nosso papel como permanentes geradoras de meios de vida e condições de subsistência, que vão além do dinheiro”, relata. “Nós, feministas, recuperamos princípios de uma outra economia: a reciprocidade, solidariedade e complementariedade, em vez da concorrência e eliminação do outro”, conta.
Agora, num novo cenário de crise capitalista, o risco de ampliação da desigualdade entre homens e mulheres crescer no mundo do trabalho é enorme, avaliam as feministas. Seja porque as mulheres já ocupam os trabalhos mais precarizados, que tendem a se ampliar; seja porque a retirada do Estado de serviços essenciais redundará em mais trabalho para as mulheres.
“O objetivo é reduzir o que se considera necessário para garantir as condições de vida dos trabalhadores, que custam muito. Então o Estado transfere e privatiza serviços públicos”, critica Antonella Picchio, da Universidade de Módena, na Itália. Para ela, o tempo e o trabalho das mulheres são utilizados como se fossem recursos inesgotáveis para sustentar o atual modelo econômico da sociedade.
“O problema do trabalho não pago é central para as mulheres. Ele é usado para fazer com que os recursos monetários distribuídos com o trabalho pago bastem para sustentar a casa, porque outros – no caso as mulheres – trabalham sem receber. É um problema claro. O sistema descarrega nas famílias uma tensão grande acerca dos recursos necessários para a vida e usa as mulheres para o trabalho doméstico e de cuidados”, explica Antonella, para quem o trabalho não pago está no centro do conflito da questão produtiva, distributiva e política contemporânea.
Estado cuidador
Para enfrentar as desigualdades entre homens e mulheres no mundo do trabalho, é necessário, na avaliação das especialistas presentes ao seminário, transformar a atual divisão sexual do trabalho no que diz respeito ao trabalho doméstico e cobrar o Estado sua responsabilidade com o trabalho de cuidados.
“O cuidado não é uma atitude de preocupação e solicitude com o outro, mas é também um trabalho concreto, material”, afirma Helena Hirata. “Temos que construir um Estado que é cuidador, responsável e participativo. Não podemos pensar no bem estar como algo que se dará natualmente”, acrescenta Antonella Picchio.
Na agenda política de alguns países, o trabalho de cuidados já vem sendo redefinido como um fluxo de ações com resultados materiais substantivos para a vida. A CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), órgão das Nações Unidas, já afirma em seus documentos que o cuidado de pessoas dependentes deve ser compartilhado entre o Estado e as famílias.
“É uma agenda que aos poucos começa a ser consenso entre líderes políticos da região. Estamos em momento de inflexões, de reflexões e redefinições de relações”, analisa Magdalena Leon. “Mas esta crise está andando em grande velocidade e é uma das maiores. E se as mulheres não lutarem por outra política, serão sacrificadas”, conclui Antonella.
O Seminário Internacional Feminismo, Economia e Política: desafios e propostas para a igualdade e autonomia das mulheres foi organizado pela SOF – Sempreviva Organização Feminista.
Fonte: Carta Maior