domingo, 11 de setembro de 2011

PCdoB de São Paulo honra os comunistas de todo o país

A nova direção eleita para dirigir o PCdoB em São Paulo



A nova direção eleita para dirigir o PCdoB em São Paulo

Concluiu-se no fim de semana passado a Conferência do PCdoB-SP. Pujante pela qualidade da intervenção política e força partidária, ela deixa lições na trajetória dos comunistas no maior e mais poderoso Estado da Federação, para todos nós.
Este é um momento extraordinário na vida da nação, em termos de desafios e oportunidades, num mundo em acelerada transição. Momento em que a centralidade dos dilemas recai na magna questão nacional pelo desenvolvimento autônomo do país, como pólo articulador das históricas demandas democráticas e sociais.
Daí a centralidade de São Paulo, ou seja, o centro dessa contenda se decide em São Paulo. Alinhar São Paulo com o Brasil em termos de projeto é não apenas uma possibilidade, mas exigência mesmo para abrir caminho ao novo projeto nacional de desenvolvimento. Aqui se trava o combate central contra a dependência do país. Aqui, em todo o século 20, predominaram no governo forças conservadoras, hoje representadas pelos grandes interesses financeiros que visam frear a soberania e o desenvolvimento em função de interesses antinacionais e antipopulares.
O PCdoB de São Paulo demonstrou essa compreensão. Um partido de ideias, com estratégia definida, com projeto de ação política e de massas, com conformação organizativa militante definida foi a questão assumida como o grande desafio do PCdoB no Estado. Apenas dois anos após a reformulação programática, o partido colhe frutos acelerados em seu desenvolvimento, como em todo o país.
Isso andou unido à visão de que isso se persegue pela política. Em São Paulo se abre caminho para superar a polarização política forçada entre PSDB e PT; como se sabe, há vinte anos venceram os setores conservadores. Abre-se uma grande oportunidade em 2014 e ela começa a se delinear já em 2012. O PCdoB de São Paulo protagoniza isso na primeira linha da cena política. Sempre unindo forças, pelo progresso nacional e direitos do povo, a liberdade, cientes de que um projeto de nação não se faz com esquemas mesquinhos e hegemonistas. A candidatura de Netinho de Paula a prefeito da maior cidade do país, uma das maiores do mundo, tem elevado significado para todo o país.
O PCdoB-SP tem quadros da mais elevada expressão nacional, como Aldo Rebelo e Orlando Silva. Aqui está presente a liderança comunista de massa mais forte e expressiva do povo de todo o país, que é Netinho de Paula, hoje liderando pesquisas à prefeitura junto com outros nomes do primeiro escalão da política paulista. Aqui há a força e exemplo de lideranças como Jamil Murad e Leci Brandão, Pedro Bigardi – futuro prefeito de Jundiaí – e as maiores lideranças sindicais que encabeçam a CTB. A juventude e as mulheres são no PCdoB paulista um bastião de força.
A conferência erigiu um elevado processo partidário como suporte a essa retomada de sua presença política. Superou as metas de mobilização em 15% e alcançou, mais uma vez, o maior contingente militante absoluto de todo o país. Não só: aplicou com maestria as diretivas nacionais da política organizativa, promovendo revisão das fileiras que encabeçam os esforços nacionais. É grande o dinamismo dos comunistas paulistas. Na Conferência desfilaram várias gerações de militantes, os que persistem há décadas em seu compromisso, mais os enormes novos contingentes que se filiaram. Um ato político representativo demonstrou o prestígio do partido e o respeito que inspira a aliados. Os comunistas aprenderam com o passado, para um presente protagonista aberto à oportunidade que se abre para o futuro em termos de governo estadual alinhado com a onda progressista nacional.
Os anos vindouros serão promissores. Há quatro-cinco anos atrás, apenas, o partido no Estado colheu significativo revés político, perdendo acentuadamente posições. Nasceu aí a grande definição de, em prazo concentrado, repor o papel central do PCdoB-SP para um partido nacionalmente forte. Isso foi alcançado nas eleições de 2010 e em 2011 ultrapassou todas as expectativas em termos de relançamento das perspectivas. Por isso, congratulamo-nos com toda a militância, sobretudo com o grande número de quadros partidários maduros e coesos que cumpriram a função. São Paulo tem uma direção coletiva de fato, liderada por Nádia Campeão nesses anos, ombro a ombro com todo esse conjunto de quadros. A eles todos, parabéns efusivos pelo que se alcançou. Seu exemplo estimula todo o país; os comunistas em São Paulo honraram, uma vez mais, o PCdoB.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Sete pontos acerca da Líbia

Por Domenico Losurdo
Doravante mesmo os cegos podem ver e compreender o que está a acontecer na Líbia:
1. O que se passa é uma guerra promovida e desencadeada pela NATO. Esta verdade acaba por se revelar até mesmo nos órgãos de "informação" burgueses. No La Stampa de 25 de Agosto, Lucia Annunziata escreve: é uma guerra "inteiramente externa, ou seja, feita pelas forças da NATO"; foi "o sistema ocidental que promoveu a guerra contra Kadafi". Uma peça do International Herald Tribune de 24 de Agosto mostra-nos "rebeldes" que se regozijam, mas eles estão comodamente instalados num avião que traz o emblema da NATO. 

2. Trata-se de uma guerra preparada desde há muito tempo. O Sunday Mirror de 20 de Março revelou que "três semanas" antes da resolução da ONU já estavam em acção na Líbia "centenas" de soldados britânicos, enquadrados num dos corpos militares mais refinados e mais temidos do mundo (SAS). Revelações ou admissões análogas podem ser lidas no International Herald Tribune de 31 de Março, a propósito da presença de "pequenos grupos da CIA" e de uma "ampla força ocidental a actuar na sombra", sempre "antes do desencadeamento das hostilidades a 19 de Março". 

3. Esta guerra nada tem a ver com a protecção dos direitos humanos. No artigo já citado, Lucia Annunziata observa com angústia: "A NATO que alcançou a vitória não é a mesma entidade que lançou a guerra". Nesse intervalo de tempo, o Ocidente enfraqueceu-se gravemente com a crise económica; conseguirá ele manter o controle de um continente que, cada vez mais frequentemente, percebe o apelo das "nações não ocidentais" e em particular da China? Igualmente, este mesmo diário que apresenta o artigo de Annunziata, La Stampa, em 26 de Agosto publica uma manchete a toda a largura da página: "Nova Líbia, desafio Itália-França". Para aqueles que ainda não tivessem compreendido de que tipo de desafio se trata, o editorial de Paolo Paroni (Duelo finalmente de negócios) esclarece: depois do início da operação bélica, caracterizada pelo frenético activismo de Sarkozy, "compreendeu-se subitamente que a guerra contra o coronel ia transformar-se num conflito de outro tipo: guerra económica, com um novo adversário: a Itália obviamente". 

4. Desejada por motivos abjectos, a guerra é conduzida de modo criminoso. Limito-me apenas a alguns pormenores tomados de um diário acima de qualquer suspeita. O International Herald Tribune de 26 de Agosto, num artigo de K. Fahim e R. Gladstone, relata: "Num acampamento no centro de Tripoli foram encontrados os corpos crivados de balas de mais de 30 combatente pró Kadafi. Pelo menos dois deles estavam atados com algemas de plástico e isto permite pensar que sofreram uma execução. Dentre estes mortos, cinco foram encontrados num hospital de campo; um estava numa ambulância, estendido numa maca e amarrado por um cinturão e tendo ainda uma transfusão intravenosa no braço". 

5. Bárbara como todas as guerras coloniais, a guerra actual contra a Líbia demonstra como o imperialismo se torna cada vez mais bárbaro. No passado, foram inumeráveis as tentativas da CIA de assassinar Fidel Castro, mas estas tentativas eram efectuadas em segredo, com um sentimento de que se não é por vergonha é pelo menos de temer possíveis reacções da opinião pública internacional. Hoje, em contrapartida, assassinar Kadafi ou outros chefes de Estado não apreciados no Ocidente é um direito abertamente proclamado. O Corriere della Sera de 26 de Agosto de 2011 titula triunfalmente: "Caça a Kadafi e seus filhos, casa por casa". Enquanto escrevo, os Tornado britânicos, aproveitando também a colaboração e informações fornecidas pela França, são utilizados para bombardear Syrte e exterminar toda a família de Kadafi. 

6. Não menos bárbara que a guerra foi a campanha de desinformação. Sem o menor sentimento de pudor, a NATO martelou sistematicamente a mentira segundo a qual suas operações guerreiras não visavam senão a protecção dos civis! E a imprensa, a "livre" imprensa ocidental? Ela, em certo momento, publicou com ostentação a "notícia" segundo a qual Kadafi enchia seus soldados de viagra de modo a que eles pudessem mais facilmente cometer violações em massa. Como esta "notícia" caiu rapidamente no ridículo, surge então uma outra "nova" segundo a qual os soldados líbios atiram sobre as crianças. Nenhuma prova é fornecida, não se encontra nenhuma referência a datas e lugares determinados, nenhuma remessa a tal ou tal fonte: o importante é criminalizar o inimigo a liquidar. 

7. Mussolini no seu tempo apresentava a agressão fascista contra a Etiópia como uma campanha para libertar este país da chaga da escravidão; hoje a NATO apresenta a sua agressão contra a Líbia como uma campanha para a difusão da democracia. No seu tempo Mussolini não cessava de trovejar contra o imperador etíope Hailé Sélassié chamando-o "Negus dos negreiros"; hoje a NATO exprime seu desprezo por Kadafi chamando-o "ditador". Assim como a natureza belicista do imperialismo não muda, também as suas técnicas de manipulação revelam elementos significativos de continuidade. Para clarificar quem hoje realmente exerce a ditadura a nível planetário, ao invés de citar Marx ou Lénine quero citar Emmanuel Kant. Num texto de 1798 (O conflito das faculdades), ele escreve: "O que é um monarca absoluto? Aquele que, quando comanda: 'a guerra deve fazer-se', a guerra seguia-se efectivamente". Argumentando deste modo, Kant tomava como alvo em particular a Inglaterra do seu tempo, sem se deixar enganar pela forma "liberal" daquele país. É uma lição de que devemos tirar proveito: os "monarcas absolutos" da nossa época, os tiranos e ditadores planetários da nossa época têm assento em Washington, em Bruxelas e nas mais importantes capitais ocidentais.

27/Agosto/2011

domingo, 4 de setembro de 2011

PCdoB: Conferência de São Paulo põe no centro o projeto de nação

 
Neste sábado (3) o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, reforçou a estratégia de atuação do partido e valorizou os aliados na construção de um projeto de desenvolvimento para o Brasil. A intervenção foi no ato político da conferência estadual do PCdoB de São Paulo, que ocorre neste sábado e domingo (3 e 4). Na mesa do ato estavam parlamentares, lideranças dos movimentos sociais e dirigentes do partido, além de representantes do PT, do PSB, do PDT e do PMDB.

Luana Bonone
Fazendo algumas vezes referências a Netinho de Paula, Renato defendeu que o PCdoB “tem que estar aberto para as grandes lideranças do nosso povo, para lideranças que expressam o sentimento do nosso povo”.
Em sua intervenção, o ministro Orlando Silva relatou que no ato político do 4º Congresso do PT, ocorrido nesta sexta-feira (2), a presidente Dilma Rousseff fez questão de cumprimentar os dirigentes partidários presentes na figura do presidente do PCdoB, Renato Rabelo, a quem disse respeitar muito. Orlando disse ainda que o PCdoB é “daqueles partidos que vão muito além da disputa eleitoral”, embora tenha discorrido sobre a importância dos processos eleitorais e do crescimento institucional do partido. “É um partido permanente, de ideias, estratégico, que luta por um projeto junto com, outros partidos e junto com organizações de todo o mundo”.
Lideranças como a presidente estadual do partido, Nádia Campeão, o deputado estadual e possível candidato a prefeito de Jundiaí, Pedro Bigardi, e o recém filiado ex-prefeito de Campos do Jordão, João Paulo Ismael, foram homenageados pelas lideranças que falaram durante o ato. O vereador Jamil Murad e o deputado federal Aldo Rebelo também foram citados algumas vezes. Bem humorado, João Paulo Ismael brincou: “acho que terei que aumentar as minhas idéias, porque o partido está crescendo muito mais alto”.
Após a fala de lideranças do partido como o vereador e provável candidato a prefeito de São Paulo Netinho de Paula, o ministro Orlando Silva, o vereador Jamil Murad e os deputados federais Aldo Rebelo e Protógenes de Queiroz, além de lideranças dos movimentos sociais e representantes dos quatro partidos que prestigiaram o ato, Renato Rabelo saudou cada integrante da mesa, comentando a contribuição de cada um ao país e informou que o PCdoB pode alcançar 2 mil conferências municipais neste processo de 2011 e que as notícias são de que elas têm superado as metas de mobilização definidas pelo partido.
Um partido de grandes causas
“Nosso partido é um partido empenhado nas grandes causas, que cresce diante dos grandes desafios”, iniciou Renato. O presidente nacional do PCdoB falou sobre o centro político do PCdoB, que é a construção do projeto de nação que criará as condições um terceiro salto civilizatório na história do país, como propõe o programa aprovado pelo 12º Congresso da organização.
Renato falou sobre a crise que atravessa o sistema capitalista, classificando-a como sistêmica e profunda, dizendo que se trata de uma grande oportunidade. “Como disse a nossa presidenta Dilma ontem no Congresso do PT, é uma oportunidade para que o Brasil possa se tornar em um país mais desenvolvido, em uma grande nação, uma nação respeitada, privilegiada. Este é o nosso desafio, nossa grande causa: tonar o Brasil uma grande nação no contexto mundial”, afirmou Renato. Para ele, o país já tem base material e povo para isso, “precisa ter o caminho justo”, completa, dizendo que o PCdoB deve contribuir Exatamente com a construção desse caminho, ou seja, com o projeto de desenvolvimento do país.

As lideranças do PCdoB, na opinião de Renato Rabelo, devem defender um projeto avançado, não podem ter uma visão imediatista. “Para construir uma grande nação democrática, soberana, com justiça social, solidária, que promova a integração sobretudo com os países da América Latina, é preciso um pensamento avançado, não pode ser um pensamento curto, limitado, de varejo. O PCdoB pode dar uma grande contribuição neste sentido, pois é um partido das idéias, da ciência, dos trabalhadores, da juventude e das mulheres”, defendeu o dirigente.
Terceiro passo civilizacional
Renato falou dos dois passos civilizacionais que o PCdoB identifica na história do país. O primeiro é composto por um conjunto de grandes feitos: a Independência, a Abolição e a constituição da República. O segundo teve início na Revolução de 1930 e contou com papel destacado do ex-presidente Getúlio Vargas. “Cabe dar o terceiro passo civilizacional, que é a transição ao socialismo”, defendeu Renato Rabelo. “É preciso viabilizar o projeto nacional de desenvolvimento como transição para uma sociedade mais avançada”, completou.

O presidente do PCdoB disse ainda que “isso não pode ser feito por um único partido”, e passou a valorizar a aliança como “categoria política essencial” para o partido. Renato relatou, ainda, que a relação com o Partido dos Trabalhadores (PT) é de “respeito mútuo”, lembrando que tal aliança existe desde 1989 e destacando que tem sentido estratégico. Em seguida, disse que a relação com o PMDB também é de respeito mútuo e citou a relação que o PCdoB mantém com o vice-presidente Michel Temer. Falou ainda do bloco que o PCdoB mantém com o PSB há alguns anos na Câmara dos Deputados e citou também o PDT, fazendo referência à sua maior liderança histórica, Leonel Brizola. Por fim, citou ainda o PSC e o PRB, último partido do vice-presidente José Alencar, morto em 29 de março deste ano.
Eleições 2012
Já no fim da sua intervenção, Renato disse que o PCdoB lançará candidatos majoritários em capitais e cidades médias. Segundo Rabelo, duas candidaturas já têm apoio “logo de saída” do ex-presidente Lula: a candidatura da deputada Manuela D’Ávila à prefeitura de Porto Alegre (RS) e a candidatura do também deputado federal Flávio Dino à prefeitura de São Luis (MA). Além disso, Renato incitou o plenário ao dizer que os próximos dois meses devem ser de trabalho e articulação “porque o PT pode ser vice também de Netinho em São Paulo, por que não?”, ao que completou dizendo que Lula disse admirar a liderança de Netinho e o papel que o vereador jogou na eleição da presidente Dilma Rousseff.
Por fim, o presidente do PCdoB fez uma referência aos 90 anos do partido, que serão completados no início de 2012, e repetiu: “O PCdoB cresce diante dos grandes desafios, das grandes responsabilidades, e dará a sua contribuição levando em conta os interesses desse povo e dessa nação”.
Netinho de Paula

Após o ato, Netinho de Paula declarou ao Vermelho que sua candidatura servirá “aos interesses de uma militância aguerrida, que acredita no socialismo como forma de diminuir essa desigualdade social que dura há tantos anos em São Paulo”. Disse ainda que sua candidatura pretende servir ao campo progressista, e que para isso deve construir um arco de aliança representativo, “para representar os trabalhadores no município de São Paulo”, finalizou Netinho.
Além dos parlamentares e os dirigentes partidários Nádia Campeão e Nivaldo Santana, compuseram a mesa do ato também militantes do PCdoB que atuam na UBM, na Unegro, da UEE-SP, da UJS, na Facesp, no movimento LGBT, no Cebrapaz e na CTB.
De São Paulo, Luana Bonone